Técnica ajuda a manter a postura correta sem tensionar o corpo

Quanto mais se pensa na boa postura, mais o organismo trava.

Você é daqueles que, quando alguém chama a atenção para a sua má postura, imediatamente se posta ereto e faz força para se manter feito um boneco de Olinda? Cuidado, pois o tiro pode sair pela culatra: perseguir uma postura ideal também pode ser prejudicial, segundo o alemão Ulf Tölle, especialista em saúde motora e coordenação do movimento:

— Quanto mais se pensa na boa postura, mais o corpo trava e pior fica a situação. E a autoconfiança fracassa. Pensar em postura se distancia mais do movimento normal do que não pensar. Pessoas se movimentam. Nunca vi um jogador de futebol correndo atrás da bola com uma boa postura. Fomos feitos para nos movermos de forma flexível. Temos de acabar com o mito da postura certa.

Tolle, radicado na Suíça há 15 anos, é especialista em uma técnica chamada de Alexander, que procura ativar o melhor potencial de organização do corpo a partir da reeducação psicomotora. Em Porto Alegre para ministrar cursos sobre a prática para músicos e profissionais da saúde, ele passou pela Escola de Música da Ospa, onde fez atividades com pais e estudantes. Os músicos, conforme Ulf, são muito beneficiados pela técnica Alexander, pois sentem a melhora na qualidade do movimento ao tocar.

— O instrumento do músico tem limites, mas o músico não tem. Então, a técnica melhora o desempenho, ele toca com mais leveza, com a força melhor direcionada. Rende muito mais e fica mais ágil, mais maleável.

Leonardo Gonçalves de Souza, 15 anos, estudante de violino, percebeu na prática como a técnica pode fazer diferença. Ele foi orientado a tocar o instrumento enquanto Ulf o observava. Depois, o especialista fez intervenções verbais e com as mãos para que Leonardo alterasse o movimento dos braços.

— Meu professor sempre reclama que seguro o violino com força demais, e dessa vez ficou bem mais leve — afirma Leonardo.

Apesar de não ser muito conhecida no Brasil, a técnica Alexander é utilizada em muitas instituições de ensino pelo mundo. Segundo o especialista, o objetivo é mostrar que é possível cuidar de si mesmo com soluções simples, despertando a lógica e a curiosidade. Saem os hábitos posturais ineficientes, que são as tensões, e entram novos padrões, movimentos eficientes e suficientes para dar suporte ao corpo para as atividades que você precisa realizar.

— Ela (a técnica) oferece uma oportunidade de você se apropriar do seu corpo. Estimula o uso do raciocínio, do cérebro, para você começar a fazer aquilo que precisa, nada além — diz Tölle.

Senso cinestésico

Durante as aulas, o professor orienta o aluno tocando-o com as mãos ou com intervenções verbais. Com isso, ele tenta despertar o senso cinestésico da pessoa, para que ela perceba seus movimentos e sua posição no espaço e observe o quanto de esforço muscular é necessário para se fazer determinada posição.

— O movimento que temos de executar contra nós mesmos, que não tem nenhum proveito a não ser machucar, é conhecido como tensão. Uma pessoa com dor no ombro, por exemplo, por alguma razão, acreditava que o ombro deveria ser baixo e forçava um trabalho a mais. É uma ideia errada, quando ela percebe que essa ideia não serve, melhora — explica Tölle.

O funcionário público Adelar Fortes de Oliveira, 53 anos, que sofre com problemas no joelho, foi orientado, após Tölle tocá-lo na cabeça e no tronco, a procurar uma forma de levantar que não o deixasse desconfortável.

— Eu levantava diferente da maneira como ele me posicionou. Depois da técnica, tive facilidade em levantar sem usar a força das pernas — conta.

Segundo o especialista, quando a pessoa faz um movimento que a machuca, ela, na verdade, não quer fazer aquilo, mas está condicionada.

— Ela não quer interferir, mas acaba interferindo. É difícil quando você envia comandos para o músculo que não são necessários — resume.

É por isso que a técnica Alexander não é utilizada de forma isolada. Você pode colocá-la em uso enquanto faz yoga ou quando está sentado trabalhando. Desta forma, é possível reorganizar os mecanismos posturais para que funcionem com mais precisão e harmonia.

Fonte: Zero Hora | Foto: Adriana Franciosi / Agencia RBS

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Centro de Reabilitação e Condicionamento Físico: Oferece serviços nas áreas de Fisioterapia e Educação Física tendo como objetivo a promoção da saúde e qualidade de vida por meio do exercício físico. Os profissionais especializados adotam uma filosofia baseada em evidências científicas enfocando a prevenção de lesões, o tratamento e o condicionamento.

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