Intestino, cérebro e coração são alguns dos órgãos que se beneficiam da ação antioxidante e estimulante de cinco compostos do cacau.
Diversas pesquisas já comprovaram que o chocolate pode fazer bem à saúde. Intestino, cérebro e coração são alguns dos órgãos que se beneficiam da ação de cinco de substâncias presentes no doce: flavonoides, polifenóis, teobromina, feniletilamina e cafeína. Os flavonoides e polifenóis são antioxidantes que combatem os radicais livres e, assim, previnem o envelhecimento celular. Já a teobromina, feniletilamina e cafeína estimulam o sistema nervoso central e promovem sensação de prazer e bem-estar. “O que faz o chocolate ser tão popular é a combinação entre gosto bom e benefícios físicos e psicológicos”, afirma a nutricionista italiana Donatella Lippi, professora do departamento de medicina da Universidade de Florença e especialista em história médica.
O limite de consumo recomendado diariamente é de 50 gramas, equivalente a dois bombons. “Mais do que isso, o alimento pode causar acúmulo de gordura, alteração nos níveis de glicose, colesterol e triglicérides, além de alergia e diarreia”, diz a endocrinologista Claudia Cozer, coordenadora do Núcleo de Obesidade e Transtornos Alimentares (Nota) do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Quanto mais cacau tem o chocolate, maior sua concentração de antioxidantes e estimulantes. Por isso, médicos e nutricionistas recomendam o consumo da versão amarga, aquelas com 60 a 100% de cacau na composição. O meio-amargo (40 a 60% de cacau) também faz bem ao organismo, mas deve ser uma opção secundária, por conter mais açúcar do que o amargo.
Já o ao leite — que leva mais leite e açúcar do que cacau — e o branco — composto por manteiga de cacau, açúcar, leite e gordura saturada — praticamente não oferecem benefícios à saúde. “Em quantidades altas, os dois tipos podem fazer mal ao consumidor”, afirma Martine Elisabeth Kienzle, professora do curso de nutrição da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Além da porcentagem da fruta estampada no rótulo, há um truque para identificar, pelo paladar, um chocolate nutritivo: em contato com a ponta da língua, ele derrete completamente, um sinal de que foi feito com cacau sólido, não com a manteiga da fruta. “Há chocolates com a mesma quantidade de cacau na formulação, mas variados níveis de gordura e açúcar. Por isso, é bom verificar tanto no paladar quanto na embalagem”, explica Claudia Cozer.
Os benefícios do chocolate para o organismo
01. Cérebro
De acordo com um estudo feito na Universidade de Áquila, na Itália, os derivados do cacau podem melhorar a cognição — processos mentais que são responsáveis pelo pensamento, percepção, classificação, juízo, imaginação e linguagem — e a memória em idosos.
A função antioxidante do chocolate pode ajudar a proteger o intestino do stress oxidativo — quadro em que há a sobrecarga de alguma substância e que pode ocasionar danos às células. Com essa proteção, há menores chances de se desenvolver problemas intestinais, como o câncer de cólon. Segundo uma pesquisa coordenada por estudiosos do Instituto de Ciência, Tecnologia e Nutrição Alimentar, na Espanha, as substâncias antioxidantes presentes no alimento, como os polifenois e os flavonoides, exercem uma proteção na mucosa intestinal e impedem a proliferação de células cancerígenas na região.
Chocolate é sinônimo de ganho de peso? Nem sempre. Uma pesquisa feita na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, constatou que comer quantidades moderadas do doce, principalmente na versão amarga, pode ajudar a emagrecer. A conclusão foi de que o chocolate possui “calorias neutras” que, em pequenas quantidades, regulam o funcionamento do metabolismo e, consequentemente, combatem o acúmulo de gordura do corpo.
Por ser um alimento antioxidante, o chocolate pode ajudar na boa saúde do coração. Entre os seus benefícios, ele auxilia na redução do colesterol ruim, o LDL, por diminuir a sua oxidação e, consequentemente, sua formação. “Assim, o chocolate auxilia na prevenção da placa de ateroma, que se forma na parede dos vasos sanguíneos com o acúmulo do LDL. Em casos graves, essas placam podem causar infarto e acidente vascular cerebral”, explica Martine. Além disso, o chocolate auxilia no funcionamento das células que recobrem os vasos sanguíneos, reduzindo o colesterol total.
Um estudo publicado pelo periódico “Applied Physiology, Nutrition, and Metabolism” descobriu que atletas de ciclismo de alta performance que tomaram leite com achocolatado depois do treino tiveram melhores desempenhos no treino seguinte do que os que ingeriam bebidas esportivas. Os cientistas constataram que a bebida com chocolate alivia dores musculares e regerena os músculos por aumentar em 70% o poder do consumo máximo de oxigênio.
“Além dos efeitos positivos à saúde física, o chocolate nos faz sentir melhor, um dos motivos pelos quais ele é muito popular”, diz a nutricionista Donatella Lippi, professora do departamento de medicina da Universidade de Florença, na Itália. O chocolate contém triptofano, um aminoácido que é um precursor da serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar.
O alimento também tem outras substâncias que colaboram para o humor, como a feniletilamina — que é semelhante à anfetamina. A substância eleva os níveis da dopamina, neurotransmissor relacionado à sensação de prazer e que atua como estimulante. Além disso, o chocolate ainda contém a cafeína, que é um composto excitante do sistema nervoso central.

