Relação de cumplicidade

Relação de cumplicidade

Além dos benefícios para a saúde, o momento em família compartilhado em academias ou mesmo ao ar livre ajuda no desenvolvimento de valores, nas lições de bem-estar e a evitar o sedentarismo

Ana Cristina aproveita para curtir a companhia da mãe, Nilsa Teixeira, durante atividade física na academia

“Do ponto de vista do desenvolvimento corporal, a prática da atividade física desde muito cedo proporciona o desenvolvimento amplo de diversas áreas do cérebro e do corpo. Claro que quando isso é acompanhado e incentivado pelos pais ou praticado junto, esses ganhos se multiplicam” Rodrigo Moura, fisioterapeuta

O momento familiar na hora de praticar atividades físicas ajuda também na melhora da sintonia entre familiares. A analista de suporte a sistemas Ana Cristina Teixeira, de 24 anos, viu na mãe, Nilsa Teixeira, de 51, a companhia e a motivação ideal para começar a praticar atividades físicas na busca de uma vida mais saudável. “Minha mãe sempre me incentivou a fazer algum tipo de atividade física, então meio que desde sempre faço alguma atividade com ela, como caminhada e hidroginástica ou natação”, afirma.

Ana Cristina conta que começou a treinar com a mãe em 2016, quando retornou de um intercâmbio com sobrepeso. “Tomei essa decisão primeiro por saúde, eu precisava perder peso. E segundo por ser com ela, o que me motiva. Treinar com a minha mãe é sempre engraçado e motivador. Ela está sempre animada, mesmo depois de um dia tenso ou cansativo.”

Além dos benefícios para a saúde, Nilsa Teixeira nota que essa cumplicidade na hora do treino agrega, também, na relação de mãe e filha. “Nossa amizade e companheirismo são sempre trabalhados e com isso o amadurecimento da nossa relação.” Nilsa e Ana Cristina revelam que, com o treino juntas, aprenderam a conviver e aceitar suas diversidades e a estreitar os laços familiares. A diferença de idade entre as duas é sentida pela mãe, que vê uma “diferença na aparência física e no desenvolvimento das atividades”. Mas Ana Cristina pondera: “Minha mãe é muito esforçada, então não vejo muita diferença. Eu faço o que ela faz, mudam o nosso ritmo e cargas das atividades”. Há uma rotina de exercícios adequada para cada biotipo e idade. Identificá-la faz toda a diferença nos resultados desejados.

PROCESSO

Para Rodrigo Moura, fisioterapeuta e sócio especialista da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva (Sonafe), a atmosfera física e emocional que os pais criam na família ajudam no desenvolvimento dos valores e nas lições de bem-estar dos filhos. “É importante destacar que os hábitos da prática da atividade física, incorporados na infância e na adolescência, são transferidos para fase adulta. Crianças e adolescentes menos ativos apresentam maior predisposição a se tornarem adultos sedentários. Essa cultura familiar estimula o processo educacional na busca de uma vida saudável”, incentiva.

Os benefícios dessa prática em conjunto são muitos. O mais importante é ter esses momentos de cumplicidade e ensinamentos com a família. Além disso, é importante incentivar desde cedo a prática de atividades físicas, que tem como característica o conhecimento e desenvolvimento do corpo. “Do ponto de vista do desenvolvimento corporal, a prática da atividade física desde muito cedo proporciona o desenvolvimento amplo de diversas áreas do cérebro e do corpo. Claro que quando isso é acompanhado e incentivado pelos pais ou praticado junto, esses ganhos se multiplicam.”

O fisioterapeuta destaca que as atividades físicas não devem ser impostas como obrigação, para que não se tornem algo ruim para os filhos e assim acabem sendo abandonadas precocemente. “Antes de qualquer coisa, é importante saber o perfil da pessoa e respeitar a adesão e o gosto do filho. Do contrário, pode virar uma obrigação e gerar um desafeto pela atividade desenvolvida. Não há esportes ou atividades mais ou menos indicados. Há esportes que cabem melhor no contexto e na vontade da criança e do adolescente”, aconselha.

Pessoas que estão muito inativas, sedentárias, devem iniciar os treinamentos após avaliação médica de um profissional com experiência. Hoje, sabemos que o exercício físico mal orientado pode comprometer a sua saúde, levando a lesões osteomusculares precoces e a um maior risco de eventos cardiovasculares. Sendo assim, todo recomeço, após um longo período de inatividade, deve ser feito de maneira gradativa, sempre respeitando os limites do corpo.

“A atividade física é usada tanto para a manutenção, prevenção quanto para a promoção. Quando se resolve deixar a vida sedentária, é importante passar por uma avaliação médica e adotar uma metodologia de exposição gradual. Dentro do nível recomendado para a adaptação do corpo nessa nova fase. Uma dica é mesclar atividades aeróbicas, como corrida, a caminhada com atividades anaeróbicas, como a musculação”, destaca Rodrigo Moura.

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