Como sair do sedentarismo e não abandonar os exercícios

Como sair do sedentarismo e não abandonar os exercícios

Psicóloga defende que encarar a atividade como algo positivo e restaurador aumenta as chances de continuar praticando.

Mesmo para quem tem a atividade física como um hábito, é comum aquela vontade de “matar” o treino. Cansaço, dor nas costas e muitas coisas para fazer em casa parecem bons motivos para desistir só por um dia. Mas quem conhece a si mesmo também sabe que poucos minutos de exercícios são capazes de oferecer energia, uma mente mais clara e disposição para dar conta de tudo.

A pesquisadora Michelle Segar, que dirige o Centro de Política e Pesquisa de Atividades Esportivas e de Saúde da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, defende que encarar o exercício como algo positivo e restaurador e que não é feito por obrigação, e sim, porque faz bem, aumenta as chances de continuar praticando, mesmo naqueles dias em que não há muita vontade.

Psicóloga, Michelle é especialista em ajudar as pessoas a adotarem e manterem o hábito do exercício regular, além de autora de No Sweat: How the Simple Science of Motivation Can Bring You a Lifetime of Fitness (Sem Esforço: Como a Simples Ciência da Motivação Pode Estimulá-lo a Se Exercitar Para Sempre, em tradução livre). Sua pesquisa mostrou que até aqueles que dizem odiar ou já desistiram da prática física várias vezes podem aprender a sentir prazer na atividade e continuar a praticá-la.

Uma pesquisa de Michelle e outros autores realizada há três anos concluiu que estimular qualquer atividade física para prevenir ou controlar doenças, emagrecer ou moldar o corpo, e prescrita em doses como se fosse remédio, não incentiva as pessoas a fazê-la nem a manter o hábito.

— A boa saúde não é a melhor maneira de tornar a atividade física relevante nem interessante o suficiente para se tornar prioridade na correria da vida — comentou ela em entrevista.

Embora pareça contraditório, estudos mostram que as pessoas que querem emagrecer e melhorar a saúde são as que passam menos tempo se exercitando. Isso vale até para os mais velhos, como indica a análise do comportamento de 335 homens e mulheres com idades entre 60 e 95 anos.

As recompensas imediatas que melhoram o dia a dia — mais energia, mais disposição, menos estresse e mais oportunidades de se encontrar com amigos e familiares — motivam muito mais, como concluíram Michelle e seus colegas.

— Prefiro encarar a atividade física como uma forma de revitalização e renovação.

É como se fosse o combustível que me permite aproveitar melhor a vida e obter sucesso naquilo que mais importa — diz ela.

Em seu livro, Michelle descreve estratégias para tirar até os mais sedentários do marasmo, começando com maneiras para superar fracassos passados e sentimentos negativos que fazem com que a atividade física pareça mais castigo do que prazer.

Conheça:

NA ROTINA

TUDO CONTA

Em vez de recomendar meia hora por dia ou 10 minutos de doses de exercícios moderados três vezes por dia durante praticamente toda a semana, Michelle sugere que a pessoa se concentre na ideia do “tudo conta”, ou seja, subir pelas escadas em vez de pegar o elevador, limpar o jardim, dançar e até caminhar ao bebedouro. Aproveite as oportunidades que existem de movimentação no espaço da sua rotina e encare-as como algo que vale a pena.

PEQUENAS AMOSTRAS

A autora também defende a aplicar a abordagem da alimentação nas atividades: tenha prazer com “pequenas amostras” de exercícios que estimulem o aumento gradual de seu “consumo”. É como as calorias dos petiscos, tudo conta. Ela compara essa escolha aos diversos sabores de um bufê de sorvete: opte pelo “sabor” da atividade física mais adequada para aquele momento. A neurociência da recompensa mostra que esse tratamento pode gerar e reforçar sentimentos positivos em relação à atividade física.

CUIDADO PESSOAL

Também é importante permitir-se fazer do cuidado pessoal, por meio dos exercícios, uma precedência. Michelle escreve: “Quando não priorizamos o nosso bem-estar porque estamos ocupados servindo a terceiros, nossa energia não se renova. Com isso, estamos sempre cansados, e nossa capacidade de prover para os outros fica comprometida”.

ABRIR ESPAÇO

Aqueles que fazem da atividade física uma prioridade não necessariamente têm mais tempo que os outros. A diferença é que eles fazem questão de abrir espaço para ela porque sabem que melhora o desempenho e a qualidade do dia a dia. Quanto mais energia você emprega para cuidar de si mesmo, mais energia terá para o resto.

EM GRUPO

Para aqueles que acham que estão negligenciando a família em nome da boa forma, ela sugere um programa em grupo. A rotina pode ajudar a criar, inclusive, uma cultura saudável de atividade física na juventude.

INTENÇÃO DE APRENDIZADO

Mesmo aqueles que têm as melhores intenções estão fadados ao fracasso se estabelecem objetivos inatingíveis. Em vez de definir metas de desempenho, Michelle sugere uma “intenção de aprendizado” — isto é, aprender a ser flexível e deixar a preguiça de lado quando necessário.

Fonte: Zero Hora

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